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A amizade viaja no tempo, não
conhece o espaço e terá sempre um motivo para permanecer.
É em testemunho dessa amizade
que aqui estamos, o coração partido pelas
lembranças e a alma ferida pela saudade,
vivendo a dimensão infinita do vazio que nosso pai
- Jessé - nos deixou.
Aqui estamos, sobretudo, para
agradecer esta homenagem e para nos dirigir a todos e a cada
um, com o mesmo carinho com que o distinguiram ao longo de sua
vida.
Nessa oportunidade, não
poderíamos deixar de manifestar, também, os nossos
agradecimentos aos amigos que se solidarizaram conosco quando
de sua partida, inclusive àqueles que utilizaram seus veículos
de comunicação como instrumento para reverenciar a memória de
nosso pai, ressaltando, sobremaneira, sua trajetória de vida e
seu ideal associativo.
Há, na alma, uma harmonia
misteriosa que conduz a vida. Cada flor, cada estrela, cada
homem, têm o seu instante de eternidade que explica sua
presença no universo. Há alguns que escapam à nossa
observação.
Mas há outros que são
singulares, que se conduzem com tal
magnitude, que o rastro de seus pés e o sinal de suas mãos,
ficam indeléveis na estrutura de seu mundo, como testemunho
de sua presença.
Nosso pai, acreditamos, foi um
deles. Ele deixou o traço luminoso de
sua alma no meio em que viveu. Essa mesma luz que
abre caminho na escuridão em meio às
dificuldades, inunda o instante festivo e cria momentos de
felicidade. Não se retém no coração, nem se imanta na alma,
mas se irradia como que abraçando a todos, em qualquer tempo,
nos mais diferentes lugares.
A vida de nosso pai, se teve
várias direções profissionais, norteou-se, certamente, em
razão da ABTT.
A entidade foi, sem dúvida, sua
grande paixão, considerada como arena de realizações e terreno
fértil às sementes dos ideais do técnico têxtil. Este foi o
sonho que, no decorrer de sua vida, acalentou e perseguiu. Todos conhecem o ardor com que
se entregava à essa luta. Na fundação da ABTT, movimento
no qual tomou parte ativa ainda no alvorecer de sua vida
profissional, na condução dos destinos da
Associação, ao longo dos mandatos que cumpriu como seu
presidente, ou, ainda, no trabalho que
liderou para transformar a entidade dos técnicos têxteis num
instrumento de harmonização entre o capital e o trabalho.
Que os senhores - colegas,
companheiros e, sobretudo, amigos de nosso pai - também
acolham o nosso testemunho do seu imenso amor e dedicação à
essa entidade, a qual entregou sua vida com entusiasmo e
emoção. Jessé, caixeiro-viajante,
dirigente de indústria, representante comercial, mas, acima de
tudo, técnico têxtil, para todos nós, será sempre um exemplo
maiúsculo de dedicação às causas nobres e sentimentos
altruístas. Da mesma forma que era solene,
enérgico, incisivo e firme nos momentos que lhe exigiam
tal postura, era otimista, magnânimo, extremamente generoso,
solidário e franco, enternecidamente comovido, estendendo a
mão a um amigo, em dificuldades, sem medo de deixar caírem as
lágrimas da emoção. É esse o Jessé que conhecemos. É esse o Jessé que
reverenciamos. É esse o Jessé que, certamente,
gostaríamos que fosse lembrado por aqueles que com ele
conviveram, compartilhando de seus ensinamentos, sonhos e
realizações. E a nós, suas filhas, que dele e de nossa maravilhosa
mãe, recebemos o dom da vida, bem como esse sentimento bom e
pleno, que somente a saudade pode eternizar, resta-nos aceitar
o mistério da transformação da existência, na esperança de que
ele tenha partido para uma dimensão em que sua alma tenha
encontrado a sua verdadeira vocação, que é a de ser feliz. Se o seu brilho foi breve,
certamente foi intenso.
De coração, o nosso muito
obrigado. |